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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Abelha nativa brasileira é capaz de compensar o declínio de outros polinizadores



Em quase toda a América do Sul é possível encontrar uma espécie de abelha sem ferrão nativa do Brasil, de cor negra reluzente e bastante agressiva, conhecida popularmente como irapuá ou arapuá (Trigona spinipes).

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Um estudo realizado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), em colaboração com a University of Texas, nos Estados Unidos, constatou que a onipresença da irapuá na região sul-americana pode estar relacionada à capacidade de as abelhas reprodutoras dessa espécie se dispersarem por longas distâncias e colonizar habitats degradados.

De acordo com o pesquisador, as irapuás são polinizadoras oportunistas e generalistas – se alimentam e polinizam flores de diversas espécies de plantas nativas e culturas, como cenoura, girassol, laranja, manga, morango, abóbora, pimentão e café –, são dominantes na maioria das redes de interação entre abelhas e plantas e equivalentes às abelhas africanizadas no Brasil

A fim de avaliar se a perda e a fragmentação de áreas de floresta influenciam a dispersão e a dinâmica da população dessa espécie de abelha, os pesquisadores coletaram exemplares do inseto em fazendas de café associadas a fragmentos de Mata Atlântica e em áreas urbanas da cidade de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais.

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Os resultados das análises estatísticas do estudo indicaram que as irapuás são capazes de se dispersar por longas distâncias, uma vez que não foi encontrada diferenciação genética entre as abelhas coletadas em uma faixa de 200 quilômetros – abelhas encontradas em São Paulo e Poços de Caldas pertenciam a uma mesma população.

“Essa espécie de abelha consegue manter um alto fluxo gênico em diferentes tipos de ambientes. Por isso, pode ser considerada um polinizador de resgate, ao compensar o declínio de outros polinizadores nativos mais sensíveis ao desmatamento”, avaliou Jaffé.
Um estudo recentemente publicado por outro grupo de pesquisadores brasileiros no início de setembro, na revista PloS One, integrante de outro Projeto Temático, apoiado pela FAPESP, comparou redes de interação entre abelhas e plantas em todo o Brasil.

Os resultados da pesquisa indicaram que as irapuás se dão melhor em ambientes degradados do que preservados.



Veja em detalhes: abelha.org.br

domingo, 17 de julho de 2016

Grupo de pesquisadores identificam reprodução de abelhas sem participação do macho




A maioria dos animais se reproduzem sexualmente, o que significa que os machos e as fêmeas são necessários para que as espécies se perpetuem. Naturalmente, a abelha não é exceção a esta regra: a abelha rainha fêmea produz nova prole por ovos que foram fertilizados por esperma de zangões. No entanto, uma população isolado de abelhas que vivem no sul da África evoluiu uma estratégia para reproduzir-se sem machos.
Uma equipe de cientistas da Universidade de Uppsala sequenciou os genomas completos de uma amostra de abelhas do Cabo (Apis mellifera capensis) e comparou-os com outras populações de abelhas para descobrir os mecanismos genéticos por trás de sua reprodução assexuada.
                                                                   http://abelha.org    

A abelha do Cabo, abelhas operárias do sexo feminino são capazes de se reproduzir assexuadamente: põem ovos que são essencialmente fertilizados pelo seu próprio DNA, que se desenvolvem em novas abelhas operárias. Essas abelhas também são capazes de invadir os ninhos de outras abelhas e continuar a reproduzir dessa forma, eventualmente, assumir os ninhos estrangeiros, um comportamento chamado parasitismo social.

A explicação do porquê essa população de abelhas na África do Sul evoluiu para se reproduzirem de maneira assexuada ainda é um mistério. No entanto a equipe de pesquisa da UU chegou mais perto de descobrir os mecanismos genéticos envolvidos. O estudo ajudará a entender como os genes controlam processos biológicos com a divisão celular e comportamento e também compreender por que as populações, por vezes, se reproduzem assexuadamente. Isso pode nos ajudar a compreender a vantagem evolutiva do sexo, que é um grande enigma para os pesquisadores evolucionistas.

FONTE:abelha.org.BR